Cabeçalho

Páginas

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Resenha: Flow (2025)

    


Ao longo dos séculos, os seres humanos desenvolveram a linguagem verbal e a partir dela nações foram formadas. Também, por meio dela, a tecnologia aprimorou-se de forma desenfreada e as civilizações cresceram. Porém, aquilo que de início trouxe a evolução também trouxe divisão, violência, guerras, ódio e a ambição que está nos levando ao fim do mundo.                         

E é a partir do fim dos tempos que a jornada de Flow se inicia. No filme, acompanhamos a história de um gato fugindo de uma inundação que aos poucos está tomando conta do planeta terra, já sem humanos. À princípio, o gato está sozinho, tem medo da água e frequentemente sente medo do que está a sua volta, mas depois que se une aos outros animais - cada um com as suas características, mas sempre protegendo uns aos outros - consegue aproveitar a jornada e superar os seus medos, mesmo que no fim isso signifique apenas aceitar seu destino. O fato do filme usar apenas gestos, expressões, sons e as ações dos animais - quase sem antropomorfizá-las - mostra que cooperação, empatia, resiliência, união e o amor são a linguagem universal daqueles que conseguem ver além. Uma das cenas mais interessantes do longa é quando o barco está passando por um prédio quase inundado com 5 cachorros latindo, quase como pedindo socorro, e os animais que acompanhamos pedem para a graça virar o barco e resgatar esses cães, mesmo com a embarcação já cheia. Em um contexto onde países se negam a receber refugiados, patrocinam guerras e erguem muros, os animais de Flow mostram que a verdadeira união acontece por meio de ações concretas e não de palavras.                                                                             

Quem você deixaria entrar em seu barco? Quem acolheria os seus no último minuto? Com sua sutileza e singeleza, Flow nos ensina que aceitar o destino não significa habitar a solidão e que em tempos difíceis é necessário estar junto todos os dias até que a tormenta passe, agindo com resiliência , bondade e cooperação, mesmo diante das diferenças, que já não importam tanto. Talvez, o clichê de  Hemingway nunca tenha feito tanto sentido e quem está conosco nas trincheiras seja de fato mais importante do que a própria guerra.